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26 de jun de 2012

Eu também amo, porra!


Comecei bem. O carinha do qual eu estava gostando era apenas o mais babaca do universo. E eu era outra babaca, por aprovar suas babaquices. Nós nos merecíamos. E eramos fãs um do outro. Eu tinha um mau-humor absurdo pela manhã e isso sempre foi um problema. Não importa, o mundo deveria despertar após o meio-dia e terminar de manhãzinha. E ele concordava. Eramos ambos impacientes e facilmente irritáveis. Ele era um babaca. Dormia com milhares de mulheres e se embriagava ridiculamente. Mas, que se dane! Eu fui o maior porre que ele já conheceu. Eu fui a pior ressaca que acordou do lado dele. Ele era um idiota. E eu era uma idiota por gostar tanto de suas idiotices. Eu acho que eu o amava. Mais do que amava meu cachorro. E isso era um problema. Eu acho que eu sou uma problema. Mas eu o amava. E eu só amava meu cachorro nessa vida. E passei a amar os dois. Que eram quase a mesma coisa. E ainda sim ele me aceitava, sendo estranha, falando estranho, amando estranho e tendo um cachorro. Ele também era ridiculamente estranho. Ainda que dormisse com quinhentas mulheres, ninguém o acordava como eu fazia. Desse nosso jeito de ouvir Alanis Morissette as sete horas da manhã. Eu bem que queria ter sido sua melhor namorada, embora meu ciumes e minhas estranhas crenças me tornassem no minimo a pior. Mas eu o amava! Que saco! Eu o amava com uma imensurável força. Eu o amava de um jeito que essas quinze biscates que dormiram em sua cama só nessa terça, jamais conseguiriam amar. Eu que, prendi sua atenção e fiz de um transe absoluto esses seus sagrados pensamentos e desejos. Coisa que mulher nenhum nunca vai conseguir fazer. Em frente ao espelho dialogo comigo mesma, e ainda me uso de terceira pessoa: É claro que ela só faz merda, começando a te dar uma primeira chance, terminando por estar te dando a décima. E me irrito. E o odeio. Por ser o cara mais ridículo do universo. Por só ter amado o meu cachorro e agora estar amando o cara mais cachorro da cidade. 
Pouco importa, essas mil mulheres jamais o apresentariam a esse tour céu-inferno do qual passamos tantas vezes. Não se arriscariam com ele e não supririam seus assédios mais intensos. Pouco importa, ele é o cara mais idiota da via láctea e eu a mulher mais burra que já esteve em sua cama antes. Por me envolver fervorosamente e por confundir esses seus cutucões com carinhos. Comecei bem. Eu só estava apaixonada pelo idiota mais charmoso desse mundo. Que me pagou meio copo de Whisky e já se achou no direito de me ganhar. Logo eu que sou tão perdida. Mas de uma coisa eu sei, de todas as meninas eu era a única mulher. A única. Porque eu fazia o que elas não faziam, eu o amava. Porra! Como amava. Porque era meu esse seu caráter, por mais sujo que ele seja. Tão meu que nem sei o que faz aí com elas, provavelmente mil coisas que não me inclua. Mas não me importa! Eu ando em linha reta. Reacendo chamas que a vida de mulheres como eu, apagou e afirmo: se eu consegui me apaixonar, garanto que qualquer um consegue, se eu que sou eu também amo - porra! - qualquer um ama também. 
Ele se esquiva, não admite e não nega, mas eu sou boa. Sabe que eu sou boa. Mas isso não o torna menos idiota, ele é péssimo. Mas o amo, porra. Porra, o amo. Mais do que essas mulherzinhas 'more or less' que o rodeiam por interesse. Não interessa. Ninguém tem um palpite tão bom quanto o meu e nem entende de 'nada com nada' tão bem quanto eu. Ele é um idiota, grande idiota. E eu outra idiota. Por ainda sim querer ser a única idiota da sua cama, da sua vida. A única que prova da sua cafajestagem. Por entender perfeitamente de suas infinitas grosserias. Que pena, nenhuma vai ter um 'bom dia' tão mau-humorado quanto o meu, e nem o doce de leite mais gostoso do que o meu. Lamentável. Mas eu o amei, como nunca imaginei amar alguém do qual eu conhecesse na estrada. Um Cafajeste. O carinha que eu amo igual eu amo o meu cachorro. 


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