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2 de dez de 2012

Trajes de despedidas.


Estou pronta. Trajes de despedida parece que foram modelados para mim. Mas não há nada que mexa tanto comigo como ler esse livro de recordações, foleando e desamassando páginas. 
Na verdade, eu não gostaria que fosse tão cruel assim. Me soa imperdoável e eu adoro perdoar.
Ainda que seja eu a culpada. Sem perceber, ou simplesmente, por perceber. Não deveria funcionar assim. As pessoas deveriam sentir as mesmas coisas e esquecerem quando o assunto é rancorejar por aí. Ainda que eu permaneça parada, é o meu coração que em um ato corajoso, saí perdoando ou chamegando perdão. Ainda que eu não seja a culpada. Em um ato heroico. Coisa que eu, já não tenho mais forças para fazer. Eu não queria que um ano tão bonito, findasse. Ainda mais dessa maneira. Não deveria funcionar assim. As pessoas deveriam saber quando estamos relutando contra a porta trancada do orgulho, e destrancarem a mesma do lado de fora. 
Difícil entender o motivo da caminhada da vida ser repartida. E assim, pessoas como eu, que não sabem escolher nada, são obrigadas a decidir a parte mais viável. Eu ouvi dizer que faz parte, que pessoas entram e saem de nossas vidas como algo planejado. Não deveria estar aqui agonizando em pé. O silêncio sempre foi e sempre será o meu pior inimigo, ainda que precisemos um do outro. 
Essa semana foi cruel. Roubaram pequenas flores desse meu jardim, do qual passei anos planejando. Aí, que agonia. Não há forma nenhuma de reconstruir. Trajes de despedida foram criados me usando de inspiração. Injusto terminar assim e ter que memoriar por diversos segundos o quão isso passou longe de meus planos. Eu não tenho culpa... Só estou vivendo de um jeito que ao meu ver, é o mais sensato para mim. Me torna uma pessoa estável. Até porque, sentei tantas tardes em frente as flores esperando que elas dessem alguma resposta, que cansei. Ainda que eu sinta saudades e arrependimentos momentâneos. Ainda que eu passe desapercebido pelos mesmos caminhos que elas... Ainda que eu morra ao perceber que já não se recordam mais. Trajes de despedidas são como uniformes para mim. Ainda que eu lave e relave, terei que utiliza-lo amanhã.


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